Certa vez, um homem ilustre de Atenas foi ao encontro de Platão para lhe reportar uma notícia intrigante. Quando o encontro, antes que lhe dissesse algo, o filósofo o interrompeu dizendo: O que tens para me contar passou pelas três peneiras? O homem ficou na dúvida: Como assim? Platão então respondeu: o que tens pra me dizer é algo verdadeiro? O homem respondeu: Bem, acho que sim, afinal é algo que andam dizendo por aí. Platão, então, repreende: Se não é verdadeiro, não é ético dizer. Mas o homem insistiu com o filósofo, e ele, porém disse: Se não é verdadeiro o que queres me dizer, ao menos é bom? O homem duvidoso afirmou: Bem, é algo não muito bom, triste inclusive. Platão argumentou: Então, também não interessa dizer. O homem tentou mais uma vez convencer Platão a ouvir a notícia, mas o filósofo, outra vez, perguntou: Essa notícia tem algum fim prático? O homem respondeu: Não, na verdade é só uma notícia, não tem finalidade nenhuma. Platão, então disse: Essa notícia, valor algum tem, pois não passou pela prova das três peneiras: verdade, bondade e utilidade.
Assim, muitas vezes, o que dizemos para alguém não passa pela prova das três peneiras, e com isso, infestamos a mente das pessoas com intrigas, fofocas, mentiras e ofensas, prejudicando nosso relacionamento humano. Quando não paramos para pensar no que dizemos, cometemos erros e injustiças com outras pessoas, ferindo sentimentos e criando desilusões.
O filósofo Platão nos ensina, com essa história das três peneiras, um valioso mecanismo de analise do que se diz ou faz dizer dos outros. Nossas conversas, os noticiários, os escândalos políticos e institucionais, tudo isso, deveria ser peneirado por essas três palavrinhas: verdade, bondade e utilidade.
Uma notícia deve ser verdadeira, pois nela envolvemos o caráter de pessoas como nós, que possuem família e dignidade. Também deve ser boa, pois quando se propaga o mal, ele cresce e se generaliza em violência física e psíquica, criando barbáries no mundo. Por último, deve ser útil, ter um fim prático, pois se ela apenas serve para ofender ou denegrir, não está em conivência com o propósito humano de ser feliz, apenas suscita mais ódio e rancor.
O ensinamento platônico serve para pensarmos os dizeres que fazemos dos outros. Não só o nosso como também o de grandes instituições. Refletir nossas palavras significa progresso, amadurecimento. Uma nação progride quando seu povo é consciente de seu papel político e ético. Tal característica se constrói com a auto-reflexão crítica e participativa, em face da regressão massificante dos meios técnicos.

Ações afirmativas são “medidas compensatórias destinadas a promover a igualdade material” define Antônia Vitória (UFMG). Seu conceito parte da idéia de que as situações desiguais devem ser encaradas de maneira diferente, fugindo da falsa “idéia de igualdade”. Portanto, as cotas, como ações afirmativas, visam provisoriamente amenizar a desigualdade social camuflada. Na Europa isso se chama “discriminação positiva”.


